A Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de
Mato Grosso (Aprosoja-MT) encaminhou, em ofício encaminhado ao Ministério da
Agricultura e Pecuária (MAPA), contribuições à construção do Plano Agrícola e
Pecuário (PAP) 2025/2026. Entre as principais demandas, se destaca a
harmonização entre normas socioambientais e econômicas e a proibição do uso de
critérios privados para restrições ao crédito, como a Moratória da Soja.
São pontuados os desafios enfrentados para tomada de
crédito devidos às restrições orçamentárias, à burocracia excessiva, às
vedações advindas de critérios fundados em pactos extralegais e ao alto custo
de captação. Exemplo disso é que, nos primeiros sete meses do PAP 2024/2025,
houve redução de 34,5% na liberação de crédito rural pelas instituições
financeiras em relação ao ciclo anterior. Em Mato Grosso, o recuo foi de R$ 11
bilhões no período entre julho de 2024 e janeiro de 2025.
Outro ponto de destaque na demanda, é a necessidade de
ampliação do crédito para armazenagem e a redução das taxas de juros do
Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), além de limitação de
valores por tomador, de modo a evitar concentração de valores nas mãos de
grandes produtores.
Com a crescente produção agrícola do estado, o déficit de
armazenagem se tornou um problema estrutural crítico. Dados do Instituto
Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA) indicam que Mato Grosso tem
capacidade para armazenar apenas 58% de sua produção, e um déficit de 37,8
milhões de toneladas. Até 2032, esse gargalo de armazenagem pode alcançar
173,22 milhões de toneladas. A sugestão é que o governo federal eleve os
recursos destinados ao PCA para R$ 9 bilhões no novo ciclo e reduza as taxas de
juros para 6% ao ano, para pequenos e médios produtores. Propõe-se, ainda, que
os recursos sejam repassados em parcela única, eliminando a morosidade causada
pelo sistema de desembolso progressivo, que encarece e atrasa as obras.
Entre outras propostas, a Aprosoja-MT sugere a criação de
uma linha de crédito específica para aquisição de equipamentos de combate a
incêndios florestais pelos produtores, como bombas d’água, extintores e
caminhão pipa, com taxas reduzidas e prazos de pagamento estendidos. Foi
ressaltado que o governo deve considerar o comprovado trabalho e esforço dos
produtores rurais que atuam como parceiros do poder público nos combates a
incêndios.
Adicionalmente, defendeu a ampliação dos incentivos para
a cultura de cobertura (cover crops), prática que melhora a qualidade do solo e
contribui para a captura de carbono, a qual já é amplamente utilizada pelo
produtor rural de MT, além da reformulação do Programa de Subvenção ao Prêmio
do Seguro Rural (PSR), garantindo mais previsibilidade e estabilidade.
Por fim, a entidade reforça a necessidade de estímulos
para ampliar o financiamento da agropecuária por meio de Fundos de Investimento
nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (FIAGROs) e fundos multimercado,
reduzindo a dependência dos recursos do Tesouro Nacional e aumentando a oferta
de crédito para o setor.
“O Plano Safra depende de uma combinação de fatores,
incluindo a previsibilidade e segurança para os beneficiários. O crédito rural
com equalização de juros enfrenta constantes restrições orçamentárias,
agravados por excessiva burocracia, aumento das exigências de garantias e ao
alto e crescente custo de captação devido a diversos encargos” ressalta Lucas
Costa Beber, Presidente da Aprosoja-MT.
“A cada ano, assistimos a um ciclo repetido: o governo
anuncia valores expressivos para o Plano Safra, mas, ao longo do ano agrícola,
falha em cumprir o que foi prometido, prejudicando ainda mais quem depende
dessa assistência para a continuidade da sua produção”, afirmou.