A Promotoria de Justiça de Apiacás (a 1.010 km de Cuiabá)
ajuizou, em março, mais de 30 ações civis públicas ambientais na Vara Única do
município. A iniciativa reforça o compromisso do Ministério Público do Estado
de Mato Grosso (MPMT) com a reparação de danos ambientais na Amazônia, já que
100% do território municipal é coberto pelo bioma.
O promotor de Justiça substituto da 1ª Promotoria de
Apiacás, Adalberto Biazotto Júnior, explica que as ações foram necessárias nos
casos em que não houve possibilidade de acordo, visando responsabilizar
infratores que desmataram sem autorização ambiental e exigir a recomposição da
vegetação nativa destruída. “Quando não há perspectiva de acordo – que
envolveria as três modalidades de obrigações civis (pagar, não fazer e fazer)
-, não resta alternativa senão propor a ação civil pública”, afirmou o
promotor.
Adalberto Biazotto destacou que o MPMT prioriza soluções
resolutivas: “Desde que assumimos, sabíamos do desafio, que envolve aspectos
socioeconômicos e ambientais. Trabalhamos incessantemente, firmando acordos e
destinando recursos ao Fundo Municipal do Meio Ambiente, com benefícios
significativos para a população, abrangendo não apenas o meio ambiente natural,
mas também o artificial e laboral.”
O promotor ressaltou que a degradação ambiental na região
tem impactos severos na biodiversidade e no equilíbrio ecológico, tornando
essencial a atuação ministerial para recuperar as áreas afetadas. Dentre as
medidas judiciais solicitadas nas ações estão: restauração integral das áreas
desmatadas, com plantio de espécies nativas; pagamento de indenizações pelos
danos causados; e adoção de práticas sustentáveis para evitar novos impactos.
Além disso, ele também pontuou a possibilidade de
conciliação ao longo do processo: “É possível também realizar o acordo, mesmo
após a interposição da ação civil pública. A conciliação é cabível em qualquer
momento processual, deixando em aberto para que, eventualmente, essas pessoas,
se quiserem, procurem o Ministério Público para negociarmos.”
Dados alarmantes – Segundo
o Instituto Centro de Vida (ICV), 90,8% do desmatamento registrado na Amazônia
mato-grossense entre agosto de 2023 e julho de 2024 ocorreu sem autorização
legal. Em nota técnica, o ICV apontou que a maior parte da destruição florestal
decorreu de ações ilegais.